O que apontam as pesquisas na véspera da eleição nos EUA

segunda-feira, novembro 02, 2020


Faltando menos de 24 horas para a abertura oficial das urnas nos Estados Unidos – alguns estados permitem o voto presencial antecipado -, as principais pesquisas do país seguem apontando o democrata Joe Biden com uma boa vantagem sobre o republicano Donald Trump.


Apesar disso, o que se vê é uma queda nesta diferença, sendo que alguns dos estados mais importantes da disputa (veja aqui quais são) seguem bastante acirrados, indicando que esta será uma eleição bastante disputada.

Por ser uma eleição indireta, nos EUA, mais do que vencer no total de votos, um candidato precisa sair vitorioso nos chamados delegados para se tornar presidente. São 538 delegados em disputa e 270 necessários para a vitória, sendo que cada estado tem uma quantidade diferente, e proporcional, de delegados (entenda o processo eleitoral americano clicando aqui).


E olhando para as últimas pesquisas estaduais, Biden segue com vantagem. De acordo com dados compilados pelo Financial Times, o democrata tem 272 delegados, sendo 203 em estados consolidados (em que as pesquisas dão ampla vantagem) e 69 em estados com tendência (onde ele lidera a pesquisas, mas sem grande vantagem).

Já Donald Trump registra até o momento 77 delegados em estados consolidados e 48 em tendência. Diante disso, ainda sobram 141 delegados indecisos, incluindo aí Texas e Flórida, dois dos maiores estados do país, que oferecem 38 e 29 delegados, respectivamente. 

Tensão na apuração

Apesar dos números, a expectativa é que haja uma demora para a divulgação do resultado final, isso porque deve ocorre contestações em diferentes estados, com a recontagem de votos e diversos deles. Em especial, isso deve acontecer em estados onde Biden vencer por uma diferença pequena. Trump alega há meses que a votação por correio dá margem para fraudes e até o momento mais de 90 milhões de americanos votaram por esta modalidade, um recorde.

Analistas acreditam que o cenário na noite do dia 3 de novembro, nas primeiras horas de apuração, seja do atual presidente à frente nos números. Porém, conforme as horas – e dias – forem passando há uma grande chance de Biden virar o cenário, isso porque estudos apontam que a maior parte do eleitorado que votou por carta é democrata.

Nas últimas semanas, o presidente tem defendido que só seja permitida a contagem de votos no dia da eleição, em uma estratégia de tentar evitar que estas cédulas que chegarão depois por carta – e que provavelmente serão para Biden – sejam consideradas. “Eu acho que é terrível quando os estados podem contar votos por um longo período depois que a eleição acabou”, disse Trump em comício em Iowa. "Assim que a eleição acabar, nós vamos entrar com nossos advogados. Se as pessoas queriam votar, deveriam ter enviado seus votos muito antes", afirmou o presidente.

Essa estratégia de Trump ocorre ainda porque existem regras diferentes em cada estado. Alguns permitem que o eleitor deposite seu voto até o dia da eleição, ou seja, ele só chegará às autoridades alguns dias após o pleito. Na Pensilvânia, por exemplo, as cédulas recebidas por carta só podem começar a serem computadas após o fechamento das urnas, o que promete fazer a apuração demorar um prazo bem maior que o normal.

Fonte:  Rodrigo Tolotti

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