Frigoríficos não têm outra saída e pagam mais pela arroba

terça-feira, novembro 10, 2020


Compradores estão se colocando de forma mais ativa nos negócios, diante da necessidade de recomporem os estoques e se programarem para a etapa final de 2020



Nesta terça-feira (10/11), os preços do boi gordo subiram fortemente em diversas regiões do País, reforçando ainda mais a tendência de alta no mercado, que parece não ter mais fim. Na praça de São Paulo, os negócios com boiada pronta para abate foram fechados, hoje, a R$ 288,00/@, a prazo, enquanto que, em Dourados (MS), os frigoríficos pagaram R$ 280,00/@ à vista, segundo levantamento da IHS Markit (veja no final desta páginas os preços de machos e fêmeas desta terça-feira tem todas as principais praças pecuárias do Brasil).

Mesmo com os preços nas alturas (recordes reais são rompidos quase que diariamente), a indústria não tem outra saída a não ser aceitar "quietinha" os valores impostos pelos pecuaristas, pois há um apagão de boiadas no País, justamente num período de forte demanda pela carne bovina – tanto interna quanto externa.

"Além do volume expressivo dos embarques de carne ao exterior neste mês de novembro, o período atual é caracterizado por maior consumo doméstico devido à proximidade das festividades de final de ano", justifica a IHS Markit, acrescentando que a entrada de massa salarial no mercado neste início de mês elevou o poder aquisitivo da população – e consequentemente a busca por proteínas de maior valor agregado, como a carne vermelha.

Com isso, continua a consultoria, os frigoríficos se colocaram de forma mais ativa nos negócios diante da necessidade de recompor estoque e se programar para etapa final de 2020. Na avaliação da IHS, mesmo com os preços em patamares recordes, "cresce o grau especulativo de que há espaço para novas altas no curtíssimo prazo, tanto em função do descompasso entre oferta e demanda de animais prontos para abater, bem como pelo retardamento na engorda do gado extensivo nos pastos devido ao atraso das chuvas neste ano".

Entre as praças da região Centro-Sul, destaque para o elevado volume de transação de animais terminados entre os Estados, como forma de driblar as dificuldades de aquisição locais. Segundo a IHS, a indústrias frigoríficas de São Paulo e Paraná continuam recorrendo a lotes oriundos de Estados vizinhos, sobretudo em praças da região Centro-Oeste – o objetivo principal dessa "varredura" pelas regiões pecuária é atender sobretudo os compromissos com o mercado externo. “Há também compradores do Sudeste atuando em praças do Norte”, informa a IHS.

Exportações aquecidas
Na primeira semana de novembro (4 dias uteis), o Brasil exportou 10,5 mil toneladas de carne bovina in natura por dia, desempenho 35% superior à média de novembro de 2019, e um salto de 29% frente à de outubro passado. A forte retomada das vendas ao exterior é atribuída à maior procura por parte da China, além de outros antigos parceiros comerciais.

No mercado atacadista, o fluxo das vendas segue regular, condição que continua a sustentar os preços em patamares firmes. No entanto, cresce as expectativas de alta nos preços dos cortes bovinos no curtíssimo prazo, devido à previsão de maior consumo da proteína ao longo do próximo fim de semana.


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