Um manda, outro obedece, diz Pazuello em live com Bolsonaro

quinta-feira, outubro 22, 2020



Depois de ser publicamente desautorizado pelo presidente , o
Ministro da Saúde Eduardo Pazuello
, recebeu o presidente da República em casa, nesta quinta-feira (22/10), e durante uma live, minimizou a crise e disse que “um manda, outro obedece". Pazuello está em casa depois de ter sido diagnosticado com o coronavírus na terça-feira (20/10), Bolsonaro foi visitá-lo hoje, em uma tentativa de demonstrar que não há crise entre eles.

Depois de Pazuello comentar que estava tomando o tradicional coquetel bolsonarista contra a , hidroxicloroquina, azitromicina e, agora, o vermífugo nitazoxanida, nenhum deles com eficácia comprovada contra a doença, e se sentia bem, Bolsonaro perguntou se ele voltaria ao trabalho na semana que vem. “Pois é, tão dizendo que não, né?”, respondeu Pazuello, referindo-se às informações de que poderia ser demitido depois de ter assinado um protocolo de intenções para compra de 46 milhões de doses da
CoronaVac
, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan com apoio do governo de São Paulo.

A decisão de Pazuello irritou Bolsonaro, que anunciou na quarta que o governo não compraria a vacina e chegou a dizer, em entrevista à rádio
Jovem Pan News
, que o medicamento não transmite segurança "pela sua origem". "Falaram até que a gente estava brigado. No meio militar, é comum acontecer isso aqui, não teve problema nenhum", disse Bolsonaro, ao que Pazuello respondeu: "É simples assim, um manda e outro obedece. Mas a gente tem carinho, dá para desenrolar". Na quarta-feira (21/10), Bolsonaro demonstrou irritação depois da divulgação do protocolo, assinado na segunda-feira (19/10).

Ao longo do dia, conversou várias vezes com o ministro e teria ficado satisfeito com a reposta rápida do ministro. No início da tarde, o secretário-executivo do ministério, Elcio Franco, leu uma nota afirmando que o protocolo "não era vinculante", vacinas seriam compradas apenas depois do registro na
Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA
e não seria obrigatória. À noite, na entrevista à
Jovem Pan News
, perguntado se Anvisa concedesse o registro à
CoronaVac
o governo compraria a vacina, Bolsonaro repetiu que o governo federal não irá comprar o medicamento.


Fonte:
Reuters

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