Novo caça do Brasil: Gripen voa duas vezes mais rápido que o som: conheça os detalhes

sexta-feira, setembro 25, 2020

 

O novo caça Gripen da Força Área Brasileira. Aeronave, que chegou ao Brasil de navio, fez nesta quinta-feira seu primeiro voo no espaço aéreo brasileiro Foto: Bianca Viol / Força Aérea Brasileira


O mais ambicioso projeto da Força Aérea Brasileira (FAB), o chamado programa F-X2, entrou na quinta-feira em uma nova fase, com o primeiro voo do Gripen NG no Brasil, batizado pela Aeronáutica como F-38E. O caça sueco, configurado apenas para testes, voou por uma hora e três minutos, após decolar no aeroporto de Navegantes (SC), às 14:00 horas e 04 minutos, e pousar no Centro de Ensaios em Voo, na sede da Embraer, em Gavião Peixoto (SP), às  15:00 horas e 07 minutos. A aeronave, que não teve contratempos em seu primeiro teste por aqui, veio da Suécia dentro de um navio, que atracou, no último domingo, no porto do município catarinense.

Essa é a primeira de 36 aeronaves do contrato firmado, em 2014, com a fabricante sueca Saab para a renovação da frota brasileira, hoje composta, majoritariamente, por caças americanos F-5, fabricados na década de 1970 e operados em cinco esquadrões, distribuídos nas regiões Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Os novos caças devem entrar em operação a partir do final de 2021. O investimento da FAB é de R$ 24 bilhões, em valores atualizados, com financiamento de 25 anos. Se o cronograma de pagamentos e de produção for cumprido, todas as unidades estarão, em 2026, na Base Aérea de Anápolis (GO).

"A partir desse momento, iniciaremos os ensaios em voos no Brasil. Já fizemos alguns na Suécia. Agora, faremos conjuntamente com a Embraer, utilizando pilotos de testes da Embraer e da Força Aérea Brasileira", afirmou o diretor do Programa Gripen, da Saab, no Brasil, Bengt Janér. O F-38E alcança 2.400 km/h, o que representa duas vezes a velocidade do som. É uma aeronave multimissão, com funções de patrulha (ar-ar), ataque (ar-terra) e ainda com capacidade de operações contra alvos marítimos (ar-mar).

"É um caça que podemos chamar da geração 4.5 +. Ou seja, um degrau abaixo do topo. Ainda assim, podemos afirmar que é o estado da arte em termos de tecnologia em aviação",  explicou Nelson Düring, especialista no setor e editor-chefe do portal Defesanet.

O programa F-X foi concebido há 20 anos. De lá pra cá, ocorreram atrasos e controvérsias. Em 2009, já rebatizado como FX-2, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a anunciar, durante visita do então presidente francês Nicolas Sarkozy a Brasília, a escolha pelo Dassault Rafale. A decisão não foi chancelada pela Aeronáutica. E, em dezembro de 2013, a ex-presidente Dilma Rousseff anunciou o acordo com a fabricante sueca, que tem como principal destaque a transferência de tecnologia e a produção de 15 das 36 aeronaves em solo brasileiro.

"A grande virtude do programa Gripen não é só gerar conhecimento, mas ter carga de trabalho. A participação da indústria nacional é decisiva. Se a indústria brasileira não fizer a parte dela, nós não recebemos a aeronave. São 62 projetos, extremamente detalhados, com transferência de tecnologia para a indústria e para o Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA). Cada um deles visa uma área diferente", explicou o presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac), da Aeronáutica, Major-Brigadeiro do Ar Valter Borges Malta.

Os primeiros 13 caças serão integralmente produzidos na Suécia. Outros oito serão fabricadas na Europa e finalizados no Brasil, que participará ativamente da produção das unidades com dois lugares, que ainda não haviam sido desenvolvidas na época da assinatura do contrato.


Fonte: O Globo

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