Entenda os motivos da alta de preços dos alimentos mesmo com país em recessão

quarta-feira, setembro 09, 2020

EN Rio de Janeiro (RJ) 22/09/2009 Preço do arroz e feijão . Na foto prateleira de arroz no mercado Mundial. Foto Gustavo Azeredo / Extra / Agência O Globo.
Foto: O Globo - 

Dólar alto, consumo maior da China, recuperação na Europa e Ásia, quebra de safra, período de entressafra. Uma conjunção de fatores ruins fez aumentar os preços dos produtos mais consumidos da cesta básica. Feijão, arroz, carne, leite, óleo de soja e mais altas são esperadas, já que os preços no atacado estão subindo ainda. Café e trigo, com efeito no pão francês, massas e biscoitos devem deixar o café da manhã mais caro ainda. Segundo André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas - FGV responsável pelos índices de preços, um dos fatores mais preponderantes nessa alta é a valorização do dólar. Em agosto do ano passado, o dólar valia R$ 4,02.

Um ano depois, R$ 5,46, uma alta de 36%. Essa desvalorização do real fez os preços de produtos como soja, milho, carnes, que são cotados internacionalmente em dólar, subissem mais. Além disso, tornou o produto brasileiro mais competitivo no mercado externo, fazendo a produção ser dirigida para o exterior. No atacado, a soja já subiu 61% nos últimos 12 meses, o farelo de soja, 51%, e o óleo refinado, 52,8%. Além das carnes, o leite também sobe mais. Sofre os mesmos efeitos da alta da soja para alimentar os animais e ainda há entressafra, com as pastagens prejudicadas pelo tempo frio, o que também diminui a produção, explica Braz.

Já o feijão carioca subiu 43,7% este ano no atacado. Quebra de safra explica a alta. Fornecido basicamente por agricultura familiar, safra menor explica a alta. Mas os preços já começam a cair. O IBGE mostrou que em julho ficou 6% mais barato para o consumidor. O arroz segue a lógica do mercado internacional: preço subiu e as exportações ficaram mais vantajosas. O auxílio emergencial de R$ 600,00 distribuído para mais de 60 milhões de pessoas foi outro amortecedor de preços dos alimentos, por manter e até aumentar o consumo inclusive no início da pandemia.

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