EL PAÍS: Sergio Moro como Jano, o deus romano das duas caras

sábado, maio 02, 2020


O ex-juiz aceitou implicitamente, sem nunca enfrentar, as investidas e os arroubos autoritários do presidente




Sergio Moro, o mítico juiz da Lava Jato, a operação policial contra a corrupção político-empresarial que levou os até então intocáveis à prisão pela primeira vez no Brasil, começando pelo carismático ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, é hoje, já fora da magistratura, uma das figuras nacionais mais polêmicas, discutidas e analisadas pelos especialistas em política.

Sua personalidade hermética poderia ser analisada à luz do deus Jano da mitologia romana, aquele das duas caras ou duas portas, o deus das guerras, o que deu nome ao primeiro mês do nosso calendário: janeiro. Moro acaba de voltar às primeiras páginas dos jornais por ter renunciado ao cargo de ministro da Justiça do Governo do ultraconservador Jair Bolsonaro. Saiu fazendo graves acusações ao presidente, de querer enquadrar ao seu serviço e de sua família a Polícia Federal, que, se comprovadas, poderiam fazê-lo perder o cargo.

Moro, que havia entrado no Governo ultraconservador como técnico, sem ser político de profissão e nunca ter se exposto ao juízo popular das urnas, hoje é visto como mais político do que muitos outros e aparece nas pesquisas para possíveis candidatos à presidência com um apoio muito superior ao de seu ex-chefe Bolsonaro. 

Moro surpreendeu quando deixou seu posto de brilhante juiz criminal com fama internacional para ser ministro de Bolsonaro, cujos gostos golpistas já eram conhecidos. Agora acabou de abandonar o Governo batendo a porta, criando um caso político. Talvez seja por isso que ele é visto por muitos como um personagem difícil de catalogar e analisar.

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