Nova crise no governo de Bolsonaro opõe Guedes a Marinho

domingo, abril 26, 2020




O ministro da Economia, Paulo Guedes, entrou em atrito com colegas na Esplanada e expôs sua contrariedade com o plano econômico anunciado na semana passada para o período pós-pandemia do coronavírus. Em conversa ríspida com Rogério Marinho do Ministério do Desenvolvimento Regional, no Palácio do Planalto, acusou o ex-auxiliar de atrapalhar a atuação do Banco Central do Brasil na crise e na política de juros. Considerado nos bastidores a "bola da vez" da fritura no governo.

O diálogo foi trocado quando os dois ministros, agora desafetos, se encontraram para o pronunciamento do presidente Jair Messias Bolsonaro, na sexta-feira (24/04), depois da demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A desavença envolvendo o outro “superministro” do governo coloca mais lenha na fogueira da crise política que o presidente enfrenta. Depois de Luiz Henrique Mandetta, demitido da Saúde, e de Moro, Guedes entrou no processo de “fritura” deflagrado por uma ala do governo por insistir no discurso de manutenção da sua política de ajuste fiscal.

O presidente, como mostrou o Estado, está disposto a dar um "cavalo de pau" no seu governo e aposta no Plano Pró-Brasil, baseado em obras e investimentos com dinheiro público, para recuperar o país na fase pós-pandemia. Essa mudança de rumo envolve ainda a aproximação com parlamentares do Centrão, bloco informal do Congresso Nacional Brasileiro que não gosta de Guedes e defende o aumento dos gastos públicos. Nos bastidores, a área econômica vê uma articulação de Marinho com parlamentares para colocar em Guedes o carimbo de insensível com os pobres.

O ministro da Economia tem rebatido as críticas ao dizer a interlocutores que partiu dele próprio a ideia de criação do auxílio emergencial aos trabalhadores informais, combinando com presidente para subir o valor e chegar aos R$ 600,00. As especulações no mercado sobre uma possível saída de Guedes aumentaram após as demissões de Henrique Mandetta e de Sérgio Moro terem sido motivadas pela interferência do presidente nas duas pastas.

A pergunta que agora se faz no meio político é se Guedes vai aceitar uma ingerência de Jair Bolsonaro em suas ações. Os dois ex-colegas de Esplanada não aceitaram. Apesar da pressão, o ministro tem dito a interlocutores que não há nenhuma intenção de deixar o cargo, mas também não pretende mudar sua política econômica de aumento dos investimentos via iniciativa privada.


Fonte: Estadão

Voce pode ler também

0 comentários

Publicidade - Themoneytizer

Denakop Tag